Dor
A dor é grito turvo, próprio valente
Num ruído diz nada
Ela aponta a coisa não-dada
A dor sentida é autopalavra.
.
Ela é a rainha cativa no desamparo
Que do alto de sua janela
Reivindica esse horizonte oceano
(A dor é o lugar mais solitário)
.
A dor zela a morte, também os viventes
Ela está nos homens, bichos, em toda gente
Um dia ela gritará nas máquinas
Para um universo senciente despertado
.
Mas quando o cosmo inteiro gritar unido
Quando tudo virar ruído
Será que assim enfim teremos um alento alcançado?
.
Nada se apressa em nos abraçar

